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Na ONU, Bolsonaro escancara acomodação global da extrema direita – 20/09/2022

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* Vinícius Rodrigues Vieira

Apesar da penca de mentiras e exageros, o presidente Jair Bolsonaro (PL) teria até saído da Assembleia Geral da ONU com uma aura equilibrada não fosse a frase com a qual concluiu seu discurso: “Foi a maior demonstração cívica da história do nosso país, um povo que acredita em Deus, pátria, família e liberdade”, disse o candidato à reeleição, numa referência aos atos partidários comandados por ele em 7 de setembro e, sem qualquer equívoco, rotulados por seu próprio líder como fascistas.

“Deus, Pátria, Família”. Essa tríade era o lema do Integralismo, o fascismo brasileiro. Integralistas, por sua vez, beberam da matriz autoritária de direita da Europa. O mesmo lema já havia sido abraçado pelo salazarismo português. Giorgia Meloni, líder do Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália) — partido de extrema-direita que está prestes a conquistar o governo do país europeu no próximo fim de semana — manteve a frase como lema de seu partido ainda que negue a herança fascista que ele carrega.

Em 2020, Bolsonaro encerrou seu discurso falando que “o Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base” Trata-se, sem dúvida, de uma postura à direita, mas não necessariamente fascista — até porque o conceito de família dá abertura a interpretações progressistas.

No ano anterior, apenas Deus tinha aparecido no final. Em vez de exaltar a família e/ou a pátria, Bolsonaro preferiu enaltecer seu governo. “Com humildade e confiante no poder libertador da verdade, estejam certos de que poderão contar com este novo Brasil que aqui apresento aos senhores e senhoras. Agradeço a todos pela graça e glória de Deus!”, finalizou.

Em vez de libertar, a verdade aprisiona Bolsonaro em suas mentiras. Por falar nelas, foi em 2021 a ocasião em que o presidente mais omitiu seu projeto político fascista ao encerrar o discurso dizendo que “É aqui, nesta Assembleia Geral, que, vislumbramos um mundo de mais liberdade, democracia, prosperidade e paz”.

O bolsonarismo é tudo menos defensor da paz, pois defende o armamento desenfreado de civis. Tampouco o movimento político comandado pelo presidente promove a prosperidade, haja vista que, durante a pandemia, crescemos abaixo da média mundial. Sem paz e prosperidade qualquer experimento democrático está fadado ao fracasso, tal como a liberdade, entendida como a ação individual perpetrada apenas e somente na ausência de tirania da maioria.

Bolsonaro e similares, inclusive Meloni, exemplificam a acomodação de posturas de extrema direita no mainstream político, cujos efeitos trágicos durante a Segunda Guerra Mundial acabaram por levar à criação da ONU e, dentro dela, de um complexo arcabouço de direitos humanos.

Mais do que uma tragédia brasileira, o bolsonarismo é sintoma da aceitação global daquilo que custou vidas e mais vidas na primeira metade do século 20. Voltamos ao passado imbrochavelmente.

* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em relações internacionais por Oxford e leciona na Faap e em cursos MBA da FGV.

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